Efeito Matilda: A Triste Realidade Profissional em um Simples Estudo de Gênero

girl-2573111_640Eu sempre estou atenta às noticias relacionadas com a minha profissão “de origem”, a de Meio Ambiente (para quem não sabe sou Quimica com mestrado em Toxicologista Ambiental e doutorado incompleto na área de gestão de Acidentes Ambientais Ampliados).

Assim, com a pulga atrás da orelha depois do trabalho que apresentei sobre a Invisibilidade Feminina, quando trouxe ao conhecimento do presentes o Efeito Matilda,  e resolvi fazer um levantamento meio en passant sobre como se comporta o mercado de trabalho na área ambiental quanto ao sexo. Daí eu entrei no site vagas no serviço de mapas de carreiras para saber um pouco mais.

Confesso que fiquei surpresa com a disparidade dos dados, pois na posição mais básica – estágio em meio ambiente – temos entrando no mercado de trabalho 68% de mulheres e 32% de homens. Quando chegamos a posições de liderança, esta porcentagem inverte drasticamente. Entre a função de gerente ambiental temos 43% de mulheres e 57% de homens.

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Vemos claramente que a porcentagem se inverte cada vez que há uma ascenção no nível profissional. Dentro do gráfico, o único ponto contrastante é o de supervisor ambiental, o que percebi pelas especificações da profissão que esta supervisão é mais voltada para o “chão de fábrica”, ou seja, um ambiente historicamente masculino.

Então eu me pergunto onde anda toda esta conversa (fiada!!) de que temos oportunidades iguais no mercado de trabalho. Não quis entrar na seara da idade para não ter uma depressão, pois se olharmos em sites profissionais tipo linkedin só vemos pessoas sorrindo e felizes com aparência de no máximo 40 anos. Acredito (especulação minha ok?) que o ponto de corte drástico das empresas seja nesta faixa.

Por mais que falemos de direitos iguais, competências iguais, por baixo dos panos isso não acontece, e ainda temos muito, mas muito caminho para percorrer.

A estrada é muito longa, então vamos de sapatos confortáveis e fortalecer os nossos passos.

 

 

 

Efeito Matilda

Rosalind Franklin
Rosalind Franklin

Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado (Mt. 13:12)

Não, não…não estou falando de religião. Estou falando de uma questão de gênero bastante interessante – o Efeito Matilda, uma variação do Efeito Mateus (uma visão metafórica da sociologia, que diz que o homem rico fica cada vez mais rico e o homem pobre fica cada vez mais pobre).

O efeito Matilda é um termo utilizado no campo da História da Ciência, e é relacionado com a dificuldade da sociedade reconhecer as mulheres cientistas com a igualdade que se reconhece o homem cientista.

Este efeito foi descrito pela primeira vez no século 19, pela escritora, sufragista e abolicionista  Matilda Joslyn Gage (1926-1898), que escreveu um ensaio chamado ” A Mulher como Inventora”. Em 1993 a historiadora da ciência Margaret W. Rossiter cunhou o termo em homenagem à Matilda (Social Studies of Science 1993 23: 325).

Vemos em toda a história, mesmo a mais recente, a diferença de tratamento. Uma publicação bastante interessante sobre esta diferença de visibilidade é o livro “A Ciência é masculina? É sim senhora!”, do escritor Attico Chassot, que nos traz uma série de artigos e números comprovando esta verdade.

Um dos mais reconhecidos casos foi de  Rosalind Franklin (1920-1958), atualmente reconhecida como um dos cientistas que descobriram a estrutura do DNA, que na época foi atribuída a Francis Crick e James Dewey Watson.

Netie Stevens (1861-1912) teve um trabalho determinante sobre a determinação do sexo através dos cromossomos. O crédito desta descoberta foi dado a um outro geneticista, Thomas Hunt Morgan.

Estes são apenas dois casos entre dezenas registrados nos anais da ciência, de mulheres brilhantes que foram esquecidas ou relegadas a segundo plano, como no caso de casais de cientistas onde a mulher é chamada de assistente.

Como podemos perceber, a invisibilidade feminina está presente em todos os campos do saber, porque a Ciência é masculina, sim senhora!