Estranha Mente

mental-health-2313430_640Setembro chegou. E com ele seu equinócio na promessa da renovação da vida.

Mas hoje foi um dia diferente. Mesmo que a temperatura estivesse amena para um início de setembro, eu senti um frio estranho, daqueles que se treme por dentro.

Hoje não consegui passar aquele delineador, que fica lindo, como o olhar de Nefertiti, aquela bela rainha egípcia.

Não consegui apreciar o bater de asas das borboletas Monarca Azul, em uma dança mágica rodando ao meu redor enquanto eu me sentava em meu lindo trono de madeira posto na varanda.

Hoje não ouvi o cantar dos pássaros, de toda as espécies que existem em nosso tão sofrido país.

Hoje não vi Luzia, com seu olhar ancestral recordando tantas lembranças em sua história.

Hoje acordei, e ao abrir os olhos só vi fumaça e fuligem, criada pelos homens medíocres de há décadas destroem aquilo que temos de mais sagrado – nossa memória. Por tudo que passamos, por tudo que erramos, por tudo que acertamos e por tudo que somos

Hoje acordei de luto. Meu coração acordou negro, ausente deste país que consome as aspirações dos jovens e as bem aventuranças dos velhos.

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Maria Sibylla Merian e a invisibilidade feminina

Maria Sibylla MerianA alemã Maria Sibylla Merian (1647-1717) não foi, como muitos dizem, uma “naturalista e ilustradora botânica”. Esta simples apresentação leva Sibylla a ser conhecida apenas com uma mulher pintando aquarelas naturalistas.

Não! Ela, tanto quanto outras que a História encarcerou entre aquarelas e bordados, foi uma cientista, que viveu no séc XVII e fez descobertas maravilhosas no campo da botânica e da zoologia, com foco em entomologia.

Ela foi o primeira cientista a pesquisar e documentar o processo de metamorfose da borboleta. Seu estudo e observação se deu para analisar a hipótese vigente na época da geração espontânea, ou seja, belas borboletas seriam oriundas de materiais putrefatos, ideia esta em voga desde Aristóteles.

Em 1685 ela publica seu terceiro volume de ilustrações e se muda com a família para o Suriname, onde seu trabalho de botânica e zoologia mais de desenvolve.

Em 1701 ela volta para Amsterdã com malária e fica em definitivo na Europa. Até 1705 ela publica 60 ilustrações sobre as mais diversas fases evolutivas de diferentes insetos.

Em 1705 ela publica a obra Metamorphosis Insectorum Surinamensium, onde detalha através de textos e ilustrações o que seria a primeira obra de História Natural do Suriname

Com sua morte em 1717, sua obra Erucarum Ortus Alimentum et Paradoxa Metamorphosis é publicada postumamente.

Na atualidade ainda temos muito que resgatar da memória de grandes mulheres esquecidas ou relegadas a segundo plano. Maria Sibylla Merian, Marianne North, entre tantas outras fazem parte desde legado de grandes mulheres que pesquiso para resgatar suas histórias.