Comemorando Hercule Florence

Radicado no Brasil desde jovem, o desenhista francês que estudou o canto das aves e técnicas de impressão é autor do mais antigo registro fotográfico das Américas

Olá amigos, sei que passei um “longo e tenebroso verão” sem escrever nada, mas confesso que fui (além de displicente) tomada por uma enxurrada de demandas de Artscience.

Fechei meu ano fazendo um curso intensivo de uma semana com imersão total na ferramenta Metaphorming e em inglês.

Depois, vieram as festas de fim de ano, entrega de relatório do TCC, conversa com orientadores, enfim, trabalhando que nem louca nas férias.

Na realidade ainda não acabou, no sábado agora estarei em um evento no Museu de Astronomia aqui no Rio de Janeiro falando sobre espólios de guerra, a partir do filme maravilhoso A Dama Dourada.

Mas não poderia deixar de contar para vocês que meu TCC sobre o artista viajante Hercule Florence já começou a render frutos valiosos e parte do meu trabalho foi publicado na revista de divulgação científica Ciência Hoje, com o título IMAGENS E AVENTURAS DE HERCULE FLORENCE.

Felicidade pura me define! Não deixem de clicar no link do título e ir lá conhecer um pouco do meu trabalho!

Até a próxima!

O que a BBC não te contou

Anhupoca - Hercule Florence
Anhupoca – Hercule Florence

Dia 11/11/2018 o site da BBC publicou uma matéria sobre a Expedição Langsdorff. Como em todos os comentários sobre a expedição, muito se fala dos cientistas envolvidos e das figuras dos artistas viajantes Rugendas e Taunay.

Muito pouco (ou quase nada!!) se fala de Hercule Florence, aquele que realmente foi responsável por termos acesso às informações (quase) completas da expedição.

Como descrito na matéria da BBC, o Barão contraiu malária e ficou muito doente, Rugendas brigou com o Barão e foi mandado embora, levando consigo mais de 500 ilustrações. Assim foi chamado outro pintor Adrien Taunay, que morreu afogado.

O que ninguém fala foi do trabalho de Hercule Florence, o ilustrador botânico esquecido que, além de fazer seu trabalho, ainda foi o responsável pelo diário da expedição quando o barão adoeceu. Graças a Hercule Florence que temos o registro da expedição.

Após sair da expedição, Florence se estabeleceu em Campinas e virou um cidadão brasileiro, com família, trabalho e mil projetos.

Durante a expedição, apaixonado pelo canto dos pássaros, ele redigiu o tratado intitulado Zoofonia. Este tratado consistia em transformar a vocalização de aves e animais da fauna brasileira em pautas convertidas em notas musicais. Este trabalho – pouco difundido – é considerado como o precursor da bioacústica, que trabalha com os sons entre espécies e sistema de comunicação animal.

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Para divulgar sua zoofonia e seus trabalhos de ilustração, Hercule continua com suas inovações fantásticas no mundo das imagens, inventando a poligrafia colorida, o que seria hoje uma forma de impressora colorida (ver poligrafia da Anhupoca).

Em 1833 Florence inventou o processo fotográfico e o papel fotográfico . Ele fez através do uso de uma câmera escura, a primeira fixação de imagem em papel, utilizando o nitrato de prata. A este documento ele deu o nome de Fotografia. Ele foi o primeiro cientista a publicar não só o produto (fotografia) como o veículo (papel fotográfico) e o processo (utilização do nitrato de prata).

Sua descoberta foi mandada para Paris, mas jamais houve retorno, embora existam provas que o Ministério do Interior tenha recebido toda a documentação de Florence. E assim, em 1839, seis anos depois de Florence, foi dado como inventor da fotografia o francês Daguerre.

Como vemos, para o resto do mundo, inclusive atualmente, ainda somos um país de grandes inovadores obscurecido por sermos para o mundo eurocêntrico apenas um país de terceiro mundo.

A propósito das memórias da expedição Langsdorff, a única versão completa do manuscrito L’ami des Arts livré à lui-même, impresso pelo Instituto Hercule Florence.