Memória e História – Dia internacional da fotografia

Ultimamente tenho me questionado bastante sobre nossa História e a memória brasileira, já tão frágil e sendo esquecida a cada dia.

Certamente estamos vivendo em uma aldeia global, conectados por redes sociais. Mas me incomoda saber que nesta Modernidade Líquida, como nos fala Zygmunt Bauman, estamos perdendo a nossa memória cultural, ou pior, não estamos buscando por ela. E falo isso em todos as áreas do saber.

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Epréuve n°2 (acervo Instituto Moreira Salles)

Hoje se comemora o Dia Internacional da Fotografia. Este dia foi escolhido porque e 1839 na Academia Francesa de Ciências o “mundo” conhecia a invenção do daguerreótipo, o precursor da câmera fotográfica. Este nome é uma homenagem a Louis Daguerre que inventou esta máquina em 1937.

Por outro lado, temos no Brasil a figura de Hercule Florence, um franco-brasileiro que em 1833, em Campinas, havia descoberto a fotografia. A “Epréuve n°2 (photographie)” é uma fotografia de um conjunto de rótulos para frascos farmacêuticos e faz parte do acervo da Reserva Técnica do Instituto Moreira Sales.

Ou seja, seis anos antes de Academia Francesa apresentar ao mundo sua invenção, aqui no nosso país, Hercule Florence já fazia fotografias, e mais importante – devidamente registradas.

E assim eu me questiono, quantas outras tantas memórias brasileiras estão sendo diluídas no tempo ? Quanto de nosso patrimônio tanto material quanto imaterial está sendo esquecida antes de virar memória?

 

 

Registros da Natureza no Brasil no Período Pré-fotográfico

O Homem sempre teve como premissa básica de sua habilidade exploratória o registro de novas descobertas, tanto na produção de imagens quanto de textos.

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Ritual Antropofágico – Hans Staden

Um dos primeiros registros que temos conhecimento é o de Hans Staden de Homberg e sua descrição da sociedade Tupinambá (c. 1548-1555).

Anhupoca - Hercule Florence
Anhupoca – Hercule Florence

Muitas outras expedições foram feitas além da mais conhecida de todas, a Expedição Langsdorff que trouxe artistas viajantes como Rugendas, Hercule Florence e Taunay, já no período imperial.

No período colonial, era comum ocorrerem as expedições científicas e filosóficas no Brasil com a volta do material junto com os grupos para a Europa. Os materiais coletados eram dispostos nos chamados “Gabinetes de Curiosidades”, que mais tarde deram origem aos museus de História Natural.

Expedição Alexandre Rodrigues
http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1255474/mss1255474_48.html

A viagem filosófica de Alexandre Ferreira ocorreu na segunda metade do século 18, e contou, entre outros,  com os chamados “jardineiros botânicos” e os riscadores (ilustradores). Nesta expedição os ilustradores eram José Codina e José Joaquim Freire, que tinham a especialidade de ilustrações de engenharia mas nesta expedição também trabalharam como ilustradores botânicos.

Flores de Jasmim
https://prints.kew.org/collections/marianne-north/products/170-flowers-of-jasmine-mango-or-frangipani-brazil-mn-170

Uma artista viajante que merece todo destaque foi Marianne North, que esteve no Brasil em 1872 e deixou um grande legado de pinturas de nossa flora. Uma mulher a frente de seu tempo, que trouxe uma grande contribuição para o conhecimento de nossa biodiversidade.