Mundo pós-pandemia, Home Office e Efeito Matilda

Hoje eu fui dar uma “zapeada” na rede social LinkedIn e fiquei preocupada com os rumos do mercado de trabalho no mundo pós-pandemia. Uma grande empresa brasileira anunciou que está implantando o sistema de home office (parcial, pelo menos a princípio) para sua parte administrativa. Eu não faço muito juízo de valor sobre as respostas pois, por ser uma rede social com fins específicos de networking profissional, percebo que interesses pessoais ou falta de reflexão sobre determinados temas correm soltos, afinal, ninguém quer contestar uma empresa ou alguém que possa lhe fornecer um degrau de ascensão no mundo corporativo.

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O que me deixou pensativa foi justamente a recrudescência do Efeito Matilda no mercado de trabalho (veja este post), com a mulher exercendo o papel de profissional, dona de casa, mãe, etc simultâneamente.

Segundo a Revista Cobertura as mulheres dedicam em média 18,5 horas semanais em cuidados com os afazeres domésticos ou com outros. Uma comparação muito rasteira é como se ela trabalhasse 9 horas por dia, 7 dias por semana. E este cenário se agravou com o isolamento social que ocorre por conta da COVID-19.

Isso é muito preocupante, ainda mais com as várias reportagens sobre o aumento de violência da mulher, síndrome de burnout e a certeza de que as mulheres serão as primeiras a serem demitidas caso não cumpram as metas estabelecidas pela empresa.

Eu estou em regime de home office, e sei bem o quanto esta prática – no meu caso temporária de fato – está sendo negativa para meu emocional.

Ainda não há pesquisas sobre o impacto desta forma de trabalho na saúde do trabalhador, principalmente no caso da mulher trabalhadora. Então, aquilo que eu vi nos posts com profundo regozijo por parte dos que divulgaram a notícia e das respostas dos que procuram um degrau nesta escadaria, o meu sentimento é de temor pela saúde física e mental da mulher trabalhadora, frente a uma rotina que possibilite – a muito desgaste emocional – a sua manutenção no mercado de trabalho.

Creio que ainda está muito cedo para este tipo de tomada de posição. Se nem a vacina temos ainda, quem dirá um trabalho científico sério a respeito da saúde do trabalhador neste cenário.

O primeiro luto

Dia desses, conversando com um amiga, ela me disse que o luto dura um ano. A cada data importante um pedaço de nós se quebra, sofremos e lembramos a ausência.

A cada data importante durante o primeiro ano, a dor ressurge, e nos pegamos repetindo: é o primeiro aniversário, primeiro dia das Mães, tudo sem a pessoa que amamos.

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Foi assim no aniversário do meu filho. Mesmo que a gente tivesse sem grana, ela fazia questão de comprar pelo menos um bolo para cantar parabéns. E tinha se passado apenas 15 dias do desencarne da mamãe e eu me lembrei dela falando do bolo.

Sem qualquer vontade, combinei de comprar o tão falado bolo e Johann o levou para a casa dos amigos, durante a reunião. Não consegui fazer mais do que isso. Ano que vem, quem sabe?

Primeiro luto. Ainda me dói saber que vem o Dia das Mães, o Natal, e tantas outras primeira vez até fechar este ciclo.