Elegância, Inteligência, Humor, Respeito

ghost-2849718_640A invisibilidade feminina não está apenas no tempo passado. Neste post eu comentei como as mulheres cientistas eram “não-vistas”. Esta prática continua até hoje, quando percebemos que as mulheres têm menos chance que os homens no mercado de trabalho, ou se tem a mesma função que um homem, ganha menos. Isso a gente já está cansada de saber.

Mas uma grande questão que vemos ainda é a objetificação da mulher. Eu vi este vídeo abaixo, sobre um teste com mulheres vestindo roupas com sensor de tato e o resultado só confirmou o que já sabíamos. Da forma com que somos vistas – e tocadas.

Mas o que mais me incomodou no vídeo foi o depoimento de um rapaz logo no início, que disse: “quem vai sair uma quinta à noite para dançar?” (grifo meu). Então… como assim? Não posso?

 

Marianne North, uma vitoriana entre nós

Marianne_North01Muito pouco se escuta falar desta fantástica mulher – Marianne North. Nascida em 1830 na Inglaterra vitoriana, esta mulher teve seus objetivos bastante definidos: queria participar de expedições científicas como pintora / ilustradora botânica.

Alheia à sociedade, que impunha a mulher o papel de mãe e esposa, ela se aventurou por vários territórios desconhecidos, como o nosso Brasil em 1872. Entre 1871 e 1885 participou de algumas expedições, deixando um legado que cerca de 800 pinturas, doadas ao Royal Botanic Gardens, em Kew. Destas viagens também existem 3 diários publicados.

Sua jornada começa com uma promessa no leito de morte de sua mãe, que pediu que ela não abandonasse seu pai sozinho. Como seu pai viajava bastante, ela o acompanhou durante 14 anos em outros lugares, como o Oriente Médio. Após a morte do pai em 1869, ela saiu a viajar pelo mundo, pintando “espécies exóticas” nas mais diferentes colônias / países dos trópicos.

O trabalho desta pioneira vitoriana no campo da Botânica e das Artes deve ser exaltado. Poucas mulheres deste período trabalharam em prol da Ciência de da Arte de maneira tão bela. Podemos imaginar o que é preconceito da sociedade contra uma mulher solteira, viajando pelas Américas e Africa em expedições formadas por homens, desenvolvendo um trabalho riquíssimo em termos de ilustração.

Era fácil ser Debret, era fácil de Rugendas. Mas com certeza não era fácil ser Marianne North.

A ela, todo meu respeito!