Uros e o Lago Titicaca

Quando eu estava viajando pelo Peru a caminho de Macchu Pichu, passei pela cidade de Puno, uma cidade central para quem quer visitar o Lago Titicaca pelo lado peruano, que é um lago nos Andes que fica na fronteira entre Peru e Bolívia.

A cidade tem uma estrutura muito precária para hospedagem, principalmente para quem viaja de carro como eu. Além do mais, como em todo o Peru, haja  pollo (galinha) para comer. A cidade fica a 3.812m acima do nível do mar, e por conta da altitude eu só me sentia confortável com chá de folha de coca, que é vendida na feira como nossa hortelã.

A maioria dos turistas que vão conhecer o Lago Titicaca embarcam por Copacabana, na Bolívia, mas foi um país que nunca tive coragem de entrar de carro pelas histórias que a gente escuta dos viajantes nas paradas das estradas.

De Puno fui conhecer as ilhas flutuantes de Uros, no meio do Lago. Estas ilhas são artificiais, construídas pelos nativos peruanos e bolivianos para morar.  Existem evidências que os Uros existem desde a época pré-colombiana, de uma cultura que desenvolveu este tipo de habitação no meio do lago para sua maior segurança.

Os Uros são feitos de uma planta herbácea chamada Totora (Scirpus californicus). Estas “camas” passam por um processo constante de manutenção, e tudo é feito em cima dos Uros, inclusive existem escolas, pousadas e bares. Os habitantes dos Uros vivem basicamente do turismo e do artesanato.

Para quem gosta de conhecer culturas diferentes, tenho certeza que ficará encantado com um passeio de barco com os moradores dos Uros.

O Grito de Socorro da ARTE que o Brasil não ouviu

Portinari (1944) - Os Retirantes
Portinari (1944) – Os Retirantes

Eu não sou de brincar o Carnaval. Aproveito estes dias para ficar em casa descansando, curtindo o lar. Também não sou de ver o desfile pela televisão. Estes dias foram dedicados à netflix e aos meus livros.

Mas este ano algo foi diferente, a Escola de Samba São Clemente trouxe para a Avenida a história da Escola de Belas Artes (EBA), que é onde estudo História da Arte. Nossa Escola foi fundada pelo decreto-real de Dom João VI em 12/08/1816.

Com a chegada da Missão Francesa no Brasil começamos nossa história formal. E a São Clemente contou muito bem a nossa história. Se quiser ver o desfile, clique aqui.

Em 2016, exatamente no dia 03 de outubro, o prédio da Reitoria da UFRJ pegou fogo. A EBA, que ficava neste prédio, nossos ateliês, nossas salas de aula, tudo em chamas, tudo destruído. Por uma proteção de todas as musas da arte, o Museu de Obras Raras Dom João VI (que foi abraçado por todos os artistas que por lá passaram) não pegou fogo.

Incêndio Prédio Reitoria UFRJ
Fonte: http://noticias.band.uol.com.br/cidades/rio/noticias/100000825394/incendio-atinge-parte-da-reitoria-da-ufrj.html

Não teve quem não chorou. Eu mesmo chorei e sinto até hoje a nossa perda.

Nos últimos momentos do desfile da São Clemente mostrou nossos professores, que tanto lutaram e lutam pela Arte no Brasil. Logo após este carro vieram os meus colegas EBANXS, com suas fantasias – pintadas por eles mesmos. Bateu orgulho sabe? Logo depois veio o nosso prédio exatamente como está agora – dois anos depois – sem nossos ateliês, sem nossas salas de aula, todos espalhados pelo campus da UFRJ como se estivéssemos uma diáspora artística, cada um de nós em um prédio diferente.

Fico me questionando se o fosse o prédio do CT, onde passam os futuros engenheiros das maiores empresas do Brasil, onde estas empresas investem seu capital e dali escolhem seus trainees e juniores; fico me perguntando… em quantos MESES eles iriam reconstruir o prédio e seus equipamentos de última geração?

Mas nós, que “apenas” produzimos e estudamos arte, continuamos espalhados pelo campus, sem qualquer previsão de ter nosso espaço próprio, salas de aula e ateliês dignos de Portinari, Lygia Pape, Victor Meirelles e tantos outros que lá estudaram, e que o Brasil e o mundo reverencia.

O brasileiro bate no peito com orgulho e assim fica fácil falar do sucesso dos que já passaram por lá. Mas que tal pensar no futuro dos que estão passando e passarão por lá a partir do incêndio?

Não tenho esperanças ter sequer meu último semestre de volta à nossa Escola, e também não tenho esperanças das próximas gerações de EBANXS se formem em um espaço físico digno.

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