Era apenas mais uma noite de terça-feira. Daquelas chuvosas com o barulho gostoso das grossas gotas de chuva que anunciavam uma noite fria.
O som ritmado das gotas batendo nas telhas da varanda agia como se fosse uma música mágica, magnética, tal qual um blues dos anos 50.
A saudade de um tempo de corpos dançando como se fosse um só, da taça de Pinot Noir instigando aquela gargalhada gostosa em cada rodopio, como se a pista de dança fosse o vinil que toca na vitrola

De repente aquele blues rasgado com o som do chiado da agulha, desmaterializou todas as dimensões que compõem o corpo humano e fez do ser uma onda a vagar por todo o universo.
E essa onda foi em todos os cantos, em todos os lugares que tivesse uma lembrança de sons, gostos, cores e amores.
Depois a onda rodopiou imitando o movimento circular de uma galáxia, se tornando uma jovem debutante em sua primeira valsa.
O tempo não existia mais, podia ser tanto a eternidade divina quanto os breves minutos de uma faixa do vinil.
De repente esse movimento frenético foi perdendo força, acalmando a onda que começava a trocar a velocidade pela cadência e em poucos minutos a forma humana foi se restabelecendo
E assim, ao terminar a música, o devaneio de desbravar o universo e seus movimentos foi substituído por um desejo incontrolável de mais um gole de Pinot Noir, que rodava displicentemente na taça enquanto a chuva caía.
Crédito de imagem: Imagem de Pexels por Pixabay
Lindo !
Levou-me a rodopiar nas galáxias.
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Que bom minha querida!
Eu por minha vez, me uni a León Denis para um valsa sideral
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