O Grito de Socorro da ARTE que o Brasil não ouviu

Portinari (1944) - Os Retirantes
Portinari (1944) – Os Retirantes

Eu não sou de brincar o Carnaval. Aproveito estes dias para ficar em casa descansando, curtindo o lar. Também não sou de ver o desfile pela televisão. Estes dias foram dedicados à netflix e aos meus livros.

Mas este ano algo foi diferente, a Escola de Samba São Clemente trouxe para a Avenida a história da Escola de Belas Artes (EBA), que é onde estudo História da Arte. Nossa Escola foi fundada pelo decreto-real de Dom João VI em 12/08/1816.

Com a chegada da Missão Francesa no Brasil começamos nossa história formal. E a São Clemente contou muito bem a nossa história. Se quiser ver o desfile, clique aqui.

Em 2016, exatamente no dia 03 de outubro, o prédio da Reitoria da UFRJ pegou fogo. A EBA, que ficava neste prédio, nossos ateliês, nossas salas de aula, tudo em chamas, tudo destruído. Por uma proteção de todas as musas da arte, o Museu de Obras Raras Dom João VI (que foi abraçado por todos os artistas que por lá passaram) não pegou fogo.

Incêndio Prédio Reitoria UFRJ
Fonte: http://noticias.band.uol.com.br/cidades/rio/noticias/100000825394/incendio-atinge-parte-da-reitoria-da-ufrj.html

Não teve quem não chorou. Eu mesmo chorei e sinto até hoje a nossa perda.

Nos últimos momentos do desfile da São Clemente mostrou nossos professores, que tanto lutaram e lutam pela Arte no Brasil. Logo após este carro vieram os meus colegas EBANXS, com suas fantasias – pintadas por eles mesmos. Bateu orgulho sabe? Logo depois veio o nosso prédio exatamente como está agora – dois anos depois – sem nossos ateliês, sem nossas salas de aula, todos espalhados pelo campus da UFRJ como se estivéssemos uma diáspora artística, cada um de nós em um prédio diferente.

Fico me questionando se o fosse o prédio do CT, onde passam os futuros engenheiros das maiores empresas do Brasil, onde estas empresas investem seu capital e dali escolhem seus trainees e juniores; fico me perguntando… em quantos MESES eles iriam reconstruir o prédio e seus equipamentos de última geração?

Mas nós, que “apenas” produzimos e estudamos arte, continuamos espalhados pelo campus, sem qualquer previsão de ter nosso espaço próprio, salas de aula e ateliês dignos de Portinari, Lygia Pape, Victor Meirelles e tantos outros que lá estudaram, e que o Brasil e o mundo reverencia.

O brasileiro bate no peito com orgulho e assim fica fácil falar do sucesso dos que já passaram por lá. Mas que tal pensar no futuro dos que estão passando e passarão por lá a partir do incêndio?

Não tenho esperanças ter sequer meu último semestre de volta à nossa Escola, e também não tenho esperanças das próximas gerações de EBANXS se formem em um espaço físico digno.

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Salta La Linda

Em minhas viagens, de todas as cidades que passei a que mais me apaixonei foi Salta, que fica a noroeste da Cordilheira dos Andes.

Além de ser a cidade mais hospitaleira, ela tem uma vivência cultural intensa. Salta foi a cidade que mais preservou sua arquitetura colonial, que se funde com as construções neoclássicas. A catedral de Salta tem detalhes belíssimos, e suas cores em tons pastéis salta aos olhos.

A Igreja de São Francisco de Salta é um dos mais belos edifícios de estilo neoclássico do século XIX na Argentina.

O Museu de Arqueologia de Alta Montana (MAAM) possui em seu acervo as múmias mais bem conservadas do mundo. Devido à baixa temperatura da Cordilheira dos Andes e à baixa umidade, elas foram muito bem conservadas por séculos dentro dos cestos que foram enterradas em sacrifício. As pessoas sacrificadas (neste caso três crianças incas, chamadas de los niños há mais de 500 anos) foram embriagadas com cauim – uma bebida alcoólica à base de milho, colocadas  dentro dos cestos e assim morreram de frio e sufocadas.

Além desta maravilha, temos o Museu de Belas Artes (abaixo), que possui em eu acervo cerâmicas e outros objetos da fantástica civilização inca.

Em Salta eu fiquei hospedada no Alto Parque Hotel.   Este hotel fica perto do Centro da cidade, e é um hotel muito aconchegante, com garagem própria –  o que é o paraíso para quem viaja de carro – os quartos são amplos e arejados e se algum dia quiser ir para Salta, o que eu recomendo de olhos fechados, fique neste hotel.

A cidade é arborizada, as pessoas são cordiais. Existem várias praças com cafés onde voce pode dar uma descansada depois de correr o circuito dos museus. Tanto que o apelido de Salta é la Linda, Salta La Linda, sem nenhuma dúvida.

Das duas vezes que subi a Cordilheira dos Andes eu fiquei um tempo em Salta La Linda, e não tenha dúvida, voltarei a ela com certeza!