Um Bom Papo, o Café e… O INTRUSO!

E de repente você encontra um amigo muito querido na rua, naquela cena de quase um atropelar o outro. E naquela ânsia de contar as novidades de um ano em cinco minutos, vocês resolvem entrar em um café e tomar um delicioso expresso enquanto tentam atualizar a vida.
Escolhem aquele Café silencioso, longe do barulho caótico do centro da cidade.
Começam a contar como vai a vida, livros que leram, filmes que assistiram.
Mas lá no meio do papo, quando a ansiedade começa a diminuir você percebe que não estão sozinhos à mesa…
Aquele amigo que você tanto queria ver e conversar divide sua atenção entre você e o…

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…celular!

Isso mesmo, a cada 20 segundos de conversa ele desvia a atenção de você para olhar o celular. E de dois em dois minutos ele aperta aquele botãozinho para poder iluminar a tela. Ver se alguém ligou mesmo quando o pequeno algoz tecnológico é vigiado o tempo todo.

Você pode até gostar muito do seu amigo, mas convenhamos, ele é um mal educado digital!
Quando isso acontece comigo, nem que seja na hora do almoço com colegas de trabalho, eu acho horrível, pois é como se uma provável chamada possa ser tão ou mais importante do que suas palavras.
Eu fico com a tosca sensação de não ter uma conversa interessante, pois a estatística é mais importante que eu – sim! a probabilidade de alguém ligar prende mais a atenção do seu interlocutor do que você!
Claro que no mundo moderno a comunicação é essencial, mas venhamos e convenhamos, tem gente que já está extrapolando não acha?

Toulouse-Lautrec não era Elegante

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Henri de Toulouse-Lautrec, foto de Paul Sescau, 1894. Museu Toulouse-Lautrec, Albi

Nada me tira tanto do sério como estes textos fake da internet. Quando vejo textos como “fulano tem $$ em uma conta lá”, “Ciclano disse blábláblá”, textos de Einstein, de Shakespeare, frases de Gandhi, eu fico irritada, não com os que o fazem, mas com os ignorantes os propagam.

Dá uma sensação “cinza” de ignorância epidêmica. Para mim e minha crise já é caso de Saúde Pública! Propagam boatos sem se preocuparem com as consequências, pois, como mais visto e sabido, não há nada mais manipulável que uma rede social.

Os que mais sofrem são os pensadores, as celebridades, e etc. Tem uma de Shakespeare chamado “aprendi” que só mastigando alho para passar a raiva. E se Shakespeare não aprendeu nada, Toulouse-Lautrec não era elegante!

Mas por favor, não contem às centenas de donos de blogs, sites e figurinhas das redes sociais que colocam textos como um grande ponto de reflexão e os amigos que repassam emails que eles estão na classe dos enganados, ok?

De todos,  que eu mais gosto é o texto escrito pelo pintor francês, Henri Toulouse-Lautrec (1864-1901). Este texto foi extraído de um livro chamado “EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO” escrito pelo próprio .

Alguém já teve a curiosidade de ler a biografia deste fabuloso pintor? Pois bem, ele NUNCA escreveu livro nenhum! Não acreditam em mim? Procurem da internet este livro para fazer download ou para comprar. O que? Não foi traduzido? Procure na amazon.com.

Não estou aqui para denegrir a imagem de Toulouse-Lautrec (seria muito deselegante!!), que para mim foi um grande artista de sua época, mas se alguém conhecesse – pelo menos superficialmente – a sua biografia, saberia que ele não escreveria um texto destes. Se quiser saber sobre ele (e vale a pena!) procure em sites confiáveis a sua biografia.

A propósito, ele nunca escreveu texto nenhum…Mas como estou naquele período “Meu Deus, como conseguem? “, resolvi questionar um pouco este texto, e algumas frases são ótimas e divertidas para isso!

O texto “original” está logo abaixo, ok? Aqui só comento algumas frases (em negrito/itálico)

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É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto

Hum…. isso eu vou deixar voces procurarem na internet … quando que voces acham que surgiu a máquina fotográfica? Vão me dizer que na época de Toulouse já existia, mas na época dele, eram máquinas onde os fotografados tinham que ficar estáticos por minutos para não produzir apenas um borrão. Então me digam, como poderia haver os fotógrafos por perto? Afinal, eles não tinham como correr atrás dos famosos né? E na sua época, Toulouse era tudo, menos famoso.

Em determinado momento TL (para os íntimos, rsrsrs) fala o seguinte: (a elegância) … É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.

Epa!!!! Se TL morreu em 1901, antes mesmo dos carros serem produzidos em série, antes mesmo de Ford e sua fábrica, até mesmo antes de termos como combustível a gasolina, como que existiam frentistas?

Será que a origem dos frentistas é de encher a barriga dos cavalos com feno e depois eles foram realocados (reengenharia do século retrasado) para encher os tanques de gasolina, cujos postos só surgiram por volta da primeira guerra?

(…) ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando, e só depois mandar dizer se está ou não está.

Gente, pelo amor de Deus! Quantos telefones você acha que existiam neste período? Não me digam que em cada casa ou empresa tinha um telefone no fim do século XIX! mesmo porque nosso Grahann Bell era americano e demorou anos até que o sistema telefônico chegasse à Europa.

Enfim, cansei de listar as pérolas do texto! Para o golpe de misericórdia, me reportando à época de TL vivo (Ah… ele morreu aos 36 anos de sífilis, após tanta dedicação à boemia, ao alcoolismo e à prostituição) você consegue imaginar pelos finais de 1800 alguém falando os termos “bate-papo” , “brucutu”, “frescura” e “enferrujar”?

É demais, concordam? Mas de uma coisa eu sei! É extremamente deselegante encher nossos e-mails e sites da internet com estes textos fake sem analisar a veracidade. Com certeza!

Voce fez isso? desculpe, mas voce é extremamente deselegante!

 

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foto de Maurice Guilbert

Elegância (atribuído a Toulouse-Lautrec)
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca-a-boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando, e só depois mandar dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para fazê-lo.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza; atitudes gentis falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém, é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar, é muito elegante.
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma.
Oferecer ajuda, é muito elegante
Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social; é só pedir licença para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”. Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.