Sob o véu denso do céu estrelado

Primeiro não foi o Nada. Foi a subtração.

Subtração de vidas, de liberdades. Subtração de sonhos e de realidades.

E sobre a solidão de máscaras, de lugares, eu te achei no local mais improvável.

E de toda a improbabilidade, paradoxalmente você se materializou.

Aquele pedido silencioso se fez de carne e osso, incorporado através de todos os sentidos.

O contraponto da minha mente acelerada e caótica, a pausa necessária.

Meu olhar em movimento começou a vislumbrar o mundo sem a lâmina fria que causa a dor de viver em um mundo cinza.

Mas ao mesmo tempo em que tudo fez sentido, nada fez sentido, pois a caminhada na aridez do caminho sempre foi só.

O véu do desconhecimento deve ser retirado, pouco a pouco. Descobertas, reflexões, acordos.

Deverei avisar à Magritte que a distância virtual colocada entre a tessitura dos amantes será retirada?

Farei isso com minhas próprias mãos.

Não será através da queda brusca do véu, pois tudo será com a delicadeza de uma bailarina, e aos poucos conseguirei transformar este pano denso e disforme em algo fluido e etéreo.

Também não quero que o véu se desfaça totalmente, mas que ele fique tão sutil que a vida jamais abandone o mistério.

O mistério de viver, o mistério de amar, o mistério de se entregar.

René Magritte – Os Amantes, 1928 – óleo sobre tela – 54 x 73,4 cm – Museum of Modern Art (MoMA), New York, USA

2 comentários sobre “Sob o véu denso do céu estrelado

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