O primeiro luto

Dia desses, conversando com um amiga, ela me disse que o luto dura um ano. A cada data importante um pedaço de nós se quebra, sofremos e lembramos a ausência.

A cada data importante durante o primeiro ano, a dor ressurge, e nos pegamos repetindo: é o primeiro aniversário, primeiro dia das Mães, tudo sem a pessoa que amamos.

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Foi assim no aniversário do meu filho. Mesmo que a gente tivesse sem grana, ela fazia questão de comprar pelo menos um bolo para cantar parabéns. E tinha se passado apenas 15 dias do desencarne da mamãe e eu me lembrei dela falando do bolo.

Sem qualquer vontade, combinei de comprar o tão falado bolo e Johann o levou para a casa dos amigos, durante a reunião. Não consegui fazer mais do que isso. Ano que vem, quem sabe?

Primeiro luto. Ainda me dói saber que vem o Dia das Mães, o Natal, e tantas outras primeira vez até fechar este ciclo.

Nada é Mais Efêmero que o Presente

Minha mãe sempre gostou de se arrumar. Sentia prazer em comprar roupas, sapatos, bijus. Armário cheio, várias roupas com etiqueta esperando a ocasião perfeita para aquela calça, aquele sapato, aquele lencinho.

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De repente veio o AVC, e aquela mulher vaidosa passou a usar roupas mais de acordo com o homecare. E assim se passaram tres meses… Veio o desencarne. Ela se foi, suas roupas ficaram. Ainda estão lá em sua casa. Etiquetas, selos, embrulhos.

Penso muito sobre isso desde então. Tenho algumas roupas com etiqueta e olho para elas diariamente – vou fazer diferente. Para mim todos os dias serão especiais. A partir de agora, é especial estar viva, é especial sair de casa todos os dias e comemorar a vida (pós-COVID19, claro!).

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Essa é minha proposta. Sair dessa sucessão de episódios-chave na vida melhor do que entrei.