Liderança Feminina é “mais frágil”​?

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Vejo alguns sites de emprego e os milhares de “coaches” publicando posts “o que você deve dizer em uma entrevista de emprego” com características decoradas e replicadas para todos os lados.

“As empresas buscam alguém que seja assim, assado e ensopado”. Dizem os posts – pronto! morri, pois não sou paciente.

Acho meio complicado isso, pois posso decorar estas listas, fazer esse papel na entrevista, ser aceita no emprego, mas na hora da prática diária eu não consigo me posicionar de acordo com o peixe que vendi.

E no meu entendimento, ser líder é muito diferente de chefiar uma equipe, independente do tamanho e do tipo. Aprendi isso quando coordenei equipes e projetos onde mais de 95% dos colaboradores eram homens em ambiente off-shore, onde não é muito producente colocar “goela abaixo” as suas ideias. Ainda mais quando você é “alguém que fica atrás da mesa no escritório” e teoricamente vem com uma “ideia mirabolante”, ou leia-se, mais trabalho para o “peão” fazer. (Lá nos primórdios já cheguei a embarcar em plataforma onde eu era a única mulher em meio a mais de 100 empregados homens).

Quando tive oportunidade de desenvolver um projeto complexo, mas que no final foi premiado e visto como práticas de destaque, inclusive se tornando conhecido em outras áreas de negócio, eu vejo que o sucesso dele foi proporcionado principalmente pelo planejamento muito bem detalhado e ao trabalho de formiguinha de ir até a ponta, escutar as necessidades e dificuldades de quem trabalhava diretamente com o objeto do projeto e fazer com que cada um deles se veja integrando um processo maior. Quando eu embarcava, eu perguntava toda a rotina deles, acompanhava e recebia uma chuva de ideias, reclamações e pedidos e tantas outras coisas que fui filtrando e ajustando ao programa corporativo sem tirar a cara do pessoal off-shore. Como eles se enxergavam no programa, abraçavam e defendiam a manutenção dele.

Para mim, como profissional, uma das maiores alegrias, além de ter o programa reconhecido, foi a primeira auditoria externa de SMS após a implantação do programa que a empresa teve. Após o encerramento, o auditor-líder conversou comigo sobre como os auditados no operacional respondiam, mostrando que tinham total conhecimento do porque o programa existia, o defendiam, e caso não soubessem responder perguntas mais técnicas, procuravam os técnicos a bordo e/ou para o grupo de terra pedindo ajuda.

A liderança feminina tem suas nuances, aprendemos com o feeling natural de a mulher saber como e quando se deve falar e agir em determinadas situações. Temos o perfil moderador, somos naturalmente negociadoras. Somos mais resilientes, ouvimos mais.

Na luta “corpo-a-corpo” de quem fala mais alto, não ganho nem no alto dos meus 1,58cm. Mas uma coisa eu te digo, não precisamos disso, aprendemos a estabelecer a hierarquia, a nos fazer respeitar, impor nossas idéias e gerenciar as melhorias de outras formas.

Como falou uma vez um gerente de plataforma ao final da auditoria interna quando fui a auditora-líder: “você é a única pessoa que conheço que nos enche de não conformidade e ainda saímos rindo da reunião de encerramento”.

O líder de equipe é o maestro

Imagem de Tatyana Kazakova por Pixabay

Outro dia eu estava escutando “Bolero” de Ravel, que creio ser uma das peças mais conhecidas mundialmente.

Concentrei-me no início, nos 3 primeiros instrumentos de sopro da obra: a flauta, o clarinete (2 vezes) e o fagote.

Fiz um teste com os sons individuais e mudei as posições. Comecei com o fagote, coloquei o clarinete em Si bemol, a flauta e o clarinete em Mi bemol. Ficou horrível!

E que interessante! Mesmos instrumentos, em ordem diferente, estragam tudo.

E assim eu vejo a gestão de uma equipe. Digamos que os instrumentos sejam nossos colaboradores. Cada um tem seu momento correto de se “fazer presente”, através de suas competências e habilidades. Mesmo dois colaboradores com a mesma formação têm suas habilidades diferenciadas.

Vi isso no clarinete, que utilizado em um tom diferente faz muita diferença (Si bemol e Mi bemol). Fazendo uma analogia, podemos ter dois profissionais com a mesma formação, por exemplo, químico ambiental. Só que um é especialista em resíduos e outro em efluentes. Aí estão as notas que harmonizam ou estragam a obra. Tem o momento certo para que cada especialista atue.

E de quem é a tarefa de fazer com que a obra seja apresentada de forma harmônica? O maestro.

E no nosso caso o maestro é o líder da equipe. É ele que identifica em que momento cada habilidade deve se colocada, cada detalhe faz a diferença. É ele que treina mais um músico que outro. É ele que sabe quem é melhor para usar o solo – naquela obra.

É ele que fica em silêncio fazendo sua equipe brilhar. É dele que emana a coesão, o tempo, as paradas, enfim, coloca em prática a habilidade de cada colaborador de sua equipe.

Agora, se a equipe é formada individualmente por ótimos profissionais, mas a “música” não sai assim tão boa, daquelas que você diz que já ouviu versões melhores – fique alerta – o problema não é a equipe, mas do líder.

Faça um teste, vá em um aplicativo qualquer de música ou vídeo e escute qualquer obra com diferentes maestros, você vai perceber a diferença.

E você, o que acha? Podemos comparar um líder de equipe a um maestro?