A Invisibilidade Feminina das Artistas Viajantes nas Expedições Científicas na América Latina

InvisiblidadeFemininaUERJOntem, dia 02/10 eu tive o prazer de apresentar parte do meu trabalho sobre Invisibilidade Feminina nas artes e ciências na XIII Semana de História Politica PPGH-UERJ / X Seminário Nacional de História: Política, Cultura e Sociedade que está ocorrendo esta semana na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

É importante divulgarmos nossas ações no resgate da memória da mulher em qualquer área do saber.

Muito se tem falado sobre as chamadas expedições científicas e filosóficas. A expedição científica de Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland pela América espanhola compreendeu o período de 1799 e 1804. No Brasil, a mais famosa foi a Expedição Científica do Barão Langsdorff, realizada entre 1824 a 1829, e que teve como artistas viajantes os já conhecidos Johann Moritz Rugendas, Hercules Florence e Aimé-Adrien Taunay. Como podemos perceber, a história destas expedições faz referência apenas a homens cientistas, exploradores e artistas. Isso nos leva ao entendimento errôneo que não houve participação feminina nestas viagens de vanguarda. Na América Latina ocorreram expedições cientificas com mulheres que não eram somente artistas e ilustradoras, mas também naturalistas da mais diferentes áreas. Maria Sibylla Merian (1647 – 1717), botânica e entomologista alemã que em sua viagem ao Suriname e América do Sul, foi a primeira naturalista a ilustrar as etapas da metamorfose da borboleta. Outra figura extremamente importante foi Marianne North (1830 a 1890), uma naturalista botânica inglesa que esteve no Brasil entre 1972-73, pintando várias aquarelas relacionadas à fauna e flora brasileiras, principalmente no Rio de Janeiro. O questionamento a se fazer é porque estas mulheres naturalistas / artistas viajantes são invisíveis tanto nas divulgações científicas quanto nas exposições de arte.

Maria Sibylla Merian e a invisibilidade feminina

Maria Sibylla MerianA alemã Maria Sibylla Merian (1647-1717) não foi, como muitos dizem, uma “naturalista e ilustradora botânica”. Esta simples apresentação leva Sibylla a ser conhecida apenas com uma mulher pintando aquarelas naturalistas.

Não! Ela, tanto quanto outras que a História encarcerou entre aquarelas e bordados, foi uma cientista, que viveu no séc XVII e fez descobertas maravilhosas no campo da botânica e da zoologia, com foco em entomologia.

Ela foi o primeira cientista a pesquisar e documentar o processo de metamorfose da borboleta. Seu estudo e observação se deu para analisar a hipótese vigente na época da geração espontânea, ou seja, belas borboletas seriam oriundas de materiais putrefatos, ideia esta em voga desde Aristóteles.

Em 1685 ela publica seu terceiro volume de ilustrações e se muda com a família para o Suriname, onde seu trabalho de botânica e zoologia mais de desenvolve.

Em 1701 ela volta para Amsterdã com malária e fica em definitivo na Europa. Até 1705 ela publica 60 ilustrações sobre as mais diversas fases evolutivas de diferentes insetos.

Em 1705 ela publica a obra Metamorphosis Insectorum Surinamensium, onde detalha através de textos e ilustrações o que seria a primeira obra de História Natural do Suriname

Com sua morte em 1717, sua obra Erucarum Ortus Alimentum et Paradoxa Metamorphosis é publicada postumamente.

Na atualidade ainda temos muito que resgatar da memória de grandes mulheres esquecidas ou relegadas a segundo plano. Maria Sibylla Merian, Marianne North, entre tantas outras fazem parte desde legado de grandes mulheres que pesquiso para resgatar suas histórias.