O Vazio Depois da Máscara

foto: pixabay.comSempre expressei aqui o meu amor ao poeta Pablo Neruda, da emoção ao conhecer Isla Negra, sua última morada. Sempre reverenciei seus poemas, sua sensibilidade, seu prêmio Nobel de Literatura em 1971. Enfim… o poeta do amor. E é lógico que tenho um post com minha ida até lá, Por Onde Andei. Vários detalhes em minha casa demonstram o “jeito Pablo Neruda de ser”.

Mas esta semana foi uma das mais incômodas da minha vida. Li a resenha de um livro na Revista Bula que me deixou com um sentimento de que fui traída. Foi publicado um livro “Malva”, que conta como Neruda abandonou sua primeira esposa na miséria e sua filha que tinha hidrocefalia, a qual dizia ser uma “vampiresa de três quilos”.

Mas este post não é sobre o livro (leia a história no link da revista acima), e sim como nos deixamos levar pelas aparências, pela persona que o indivíduo representa na sociedade e lembro do que minha vó dizia “coração de gente é terra que ninguém pisa”. O que vi em sua casa de Isla Negra foi o poeta Pablo Neruda. O que me fez sentir uma paixão imensa por ele foi a máscara poeta. Suas poesias de amor absolutamente perfeitas refletiam apenas uma face neste conjunto chamado Espírito.

Mas esta questão da filha Malva e do abandono deu um nó na minha garganta, e sabe porque? Contraria de forma absoluta a minha visão sobre este assunto. Feriu minha ética sobre pessoas com necessidades especiais.

E também fui mais fundo nesta reflexão. Me fez enxergar que são poucas as pessoas que conhecemos, até aquelas com quem convivemos muitas vezes agem de forma que sequer um dia poderíamos imaginar. Quem matou o imperador Julio Cesar foi seu filho adotivo Marcus Julius Brutus. E poderia ter alguém mais próximo?

Saber desta história de Neruda não vai diminuir minha admiração pelo poeta, mas me fez vê-lo como homem, como eu, como você. Confesso que foi uma paulada na minha visão romântica embalada pelas suas poesias na rede ao pôr do sol, mas me fez ver algo muito mais profundo. Que não devemos colocar no Olimpo seres humanos normais. Afinal, como me mostrou Pablito, todos temos a sombra e a luz dentro de nós. E deixemos o Olimpo para os deuses que lá habitam.

Em Um Sábado a Tarde

hand-2906456_640São 14:37hs de sábado. O 13 está cheio de pessoas que almoçam tarde fim de semana. Vão buscar os pais, os filhos; saem tarde do futebol e param para uma cerva gelada.

Parei aqui enquanto Jorginho lava meu carro, também depois de tanta chuva ele ficou vergonhosamente sujo.

Mas voltemos ao que interessa… sentei sozinha um lugar para 4 pessoas. Chegaram dois homens suados do futebol de sábado e lhes ofereci pegar a mesa que estava sobrando para se sentarem.

Após sua saída se aproximou uma família de 4 pessoas. Perguntei se queriam cadeira que estava sobrando em minha mesa (haja visto que só sento em uma) o que aceitaram prontamente.

Percorri os olhos em busca de mais um cadeira e percebi que a maiorias das mesas de seis lugares estavam ocupadas em sua maioria por casais, ou seja, tinham 4 vagas ociosas em casa mesa.

Todos fingiam não ver aquela senhora de quase 80 anos em pé, pernas inchadas esperando um vaga para sentar.

Tentei desculpar as mesas com muitas vagas ociosas com o instinto de conservação e defesa do território mas minha justificativa tinha base fraca pois todos estavam comendo e bebendo fartamente.

Aí percebi o quanto somos egoístas, depois se devidamente acomodados pouco nos interessa o outro, que se dane o outro.

Farinha pouca…

Nestes momentos não consigo ver a famosa alegria e hospitalidade brasileira e carioca . Apenas pessoas egocêntricas que não conseguem despertar empatia pelo próximo .

Que lutam pelos seus direitos em discursos, mas que pisam na necessidade do outro…