Maria Sibylla Merian e a invisibilidade feminina

Maria Sibylla MerianA alemã Maria Sibylla Merian (1647-1717) não foi, como muitos dizem, uma “naturalista e ilustradora botânica”. Esta simples apresentação leva Sibylla a ser conhecida apenas com uma mulher pintando aquarelas naturalistas.

Não! Ela, tanto quanto outras que a História encarcerou entre aquarelas e bordados, foi uma cientista, que viveu no séc XVII e fez descobertas maravilhosas no campo da botânica e da zoologia, com foco em entomologia.

Ela foi o primeira cientista a pesquisar e documentar o processo de metamorfose da borboleta. Seu estudo e observação se deu para analisar a hipótese vigente na época da geração espontânea, ou seja, belas borboletas seriam oriundas de materiais putrefatos, ideia esta em voga desde Aristóteles.

Em 1685 ela publica seu terceiro volume de ilustrações e se muda com a família para o Suriname, onde seu trabalho de botânica e zoologia mais de desenvolve.

Em 1701 ela volta para Amsterdã com malária e fica em definitivo na Europa. Até 1705 ela publica 60 ilustrações sobre as mais diversas fases evolutivas de diferentes insetos.

Em 1705 ela publica a obra Metamorphosis Insectorum Surinamensium, onde detalha através de textos e ilustrações o que seria a primeira obra de História Natural do Suriname

Com sua morte em 1717, sua obra Erucarum Ortus Alimentum et Paradoxa Metamorphosis é publicada postumamente.

Na atualidade ainda temos muito que resgatar da memória de grandes mulheres esquecidas ou relegadas a segundo plano. Maria Sibylla Merian, Marianne North, entre tantas outras fazem parte desde legado de grandes mulheres que pesquiso para resgatar suas histórias.

Memória e História – Dia internacional da fotografia

Ultimamente tenho me questionado bastante sobre nossa História e a memória brasileira, já tão frágil e sendo esquecida a cada dia.

Certamente estamos vivendo em uma aldeia global, conectados por redes sociais. Mas me incomoda saber que nesta Modernidade Líquida, como nos fala Zygmunt Bauman, estamos perdendo a nossa memória cultural, ou pior, não estamos buscando por ela. E falo isso em todos as áreas do saber.

fotografia
Epréuve n°2 (acervo Instituto Moreira Salles)

Hoje se comemora o Dia Internacional da Fotografia. Este dia foi escolhido porque e 1839 na Academia Francesa de Ciências o “mundo” conhecia a invenção do daguerreótipo, o precursor da câmera fotográfica. Este nome é uma homenagem a Louis Daguerre que inventou esta máquina em 1937.

Por outro lado, temos no Brasil a figura de Hercule Florence, um franco-brasileiro que em 1833, em Campinas, havia descoberto a fotografia. A “Epréuve n°2 (photographie)” é uma fotografia de um conjunto de rótulos para frascos farmacêuticos e faz parte do acervo da Reserva Técnica do Instituto Moreira Sales.

Ou seja, seis anos antes de Academia Francesa apresentar ao mundo sua invenção, aqui no nosso país, Hercule Florence já fazia fotografias, e mais importante – devidamente registradas.

E assim eu me questiono, quantas outras tantas memórias brasileiras estão sendo diluídas no tempo ? Quanto de nosso patrimônio tanto material quanto imaterial está sendo esquecida antes de virar memória?