Publicado em Brasil, Ciência, Ensaios, Gênero, Modernidade

Liderança Feminina é “mais frágil”​?

http://www.pixabay.com

Vejo alguns sites de emprego e os milhares de “coaches” publicando posts “o que você deve dizer em uma entrevista de emprego” com características decoradas e replicadas para todos os lados.

“As empresas buscam alguém que seja assim, assado e ensopado”. Dizem os posts – pronto! morri, pois não sou paciente.

Acho meio complicado isso, pois posso decorar estas listas, fazer esse papel na entrevista, ser aceita no emprego, mas na hora da prática diária eu não consigo me posicionar de acordo com o peixe que vendi.

E no meu entendimento, ser líder é muito diferente de chefiar uma equipe, independente do tamanho e do tipo. Aprendi isso quando coordenei equipes e projetos onde mais de 95% dos colaboradores eram homens em ambiente off-shore, onde não é muito producente colocar “goela abaixo” as suas ideias. Ainda mais quando você é “alguém que fica atrás da mesa no escritório” e teoricamente vem com uma “ideia mirabolante”, ou leia-se, mais trabalho para o “peão” fazer. (Lá nos primórdios já cheguei a embarcar em plataforma onde eu era a única mulher em meio a mais de 100 empregados homens).

Quando tive oportunidade de desenvolver um projeto complexo, mas que no final foi premiado e visto como práticas de destaque, inclusive se tornando conhecido em outras áreas de negócio, eu vejo que o sucesso dele foi proporcionado principalmente pelo planejamento muito bem detalhado e ao trabalho de formiguinha de ir até a ponta, escutar as necessidades e dificuldades de quem trabalhava diretamente com o objeto do projeto e fazer com que cada um deles se veja integrando um processo maior. Quando eu embarcava, eu perguntava toda a rotina deles, acompanhava e recebia uma chuva de ideias, reclamações e pedidos e tantas outras coisas que fui filtrando e ajustando ao programa corporativo sem tirar a cara do pessoal off-shore. Como eles se enxergavam no programa, abraçavam e defendiam a manutenção dele.

Para mim, como profissional, uma das maiores alegrias, além de ter o programa reconhecido, foi a primeira auditoria externa de SMS após a implantação do programa que a empresa teve. Após o encerramento, o auditor-líder conversou comigo sobre como os auditados no operacional respondiam, mostrando que tinham total conhecimento do porque o programa existia, o defendiam, e caso não soubessem responder perguntas mais técnicas, procuravam os técnicos a bordo e/ou para o grupo de terra pedindo ajuda.

A liderança feminina tem suas nuances, aprendemos com o feeling natural de a mulher saber como e quando se deve falar e agir em determinadas situações. Temos o perfil moderador, somos naturalmente negociadoras. Somos mais resilientes, ouvimos mais.

Na luta “corpo-a-corpo” de quem fala mais alto, não ganho nem no alto dos meus 1,58cm. Mas uma coisa eu te digo, não precisamos disso, aprendemos a estabelecer a hierarquia, a nos fazer respeitar, impor nossas idéias e gerenciar as melhorias de outras formas.

Como falou uma vez um gerente de plataforma ao final da auditoria interna quando fui a auditora-líder: “você é a única pessoa que conheço que nos enche de não conformidade e ainda saímos rindo da reunião de encerramento”.

Publicado em Brasil, Ensaios, Reflexões

Em Um Sábado a Tarde

hand-2906456_640São 14:37hs de sábado. O 13 está cheio de pessoas que almoçam tarde fim de semana. Vão buscar os pais, os filhos; saem tarde do futebol e param para uma cerva gelada.

Parei aqui enquanto Jorginho lava meu carro, também depois de tanta chuva ele ficou vergonhosamente sujo.

Mas voltemos ao que interessa… sentei sozinha um lugar para 4 pessoas. Chegaram dois homens suados do futebol de sábado e lhes ofereci pegar a mesa que estava sobrando para se sentarem.

Após sua saída se aproximou uma família de 4 pessoas. Perguntei se queriam cadeira que estava sobrando em minha mesa (haja visto que só sento em uma) o que aceitaram prontamente.

Percorri os olhos em busca de mais um cadeira e percebi que a maiorias das mesas de seis lugares estavam ocupadas em sua maioria por casais, ou seja, tinham 4 vagas ociosas em casa mesa.

Todos fingiam não ver aquela senhora de quase 80 anos em pé, pernas inchadas esperando um vaga para sentar.

Tentei desculpar as mesas com muitas vagas ociosas com o instinto de conservação e defesa do território mas minha justificativa tinha base fraca pois todos estavam comendo e bebendo fartamente.

Aí percebi o quanto somos egoístas, depois se devidamente acomodados pouco nos interessa o outro, que se dane o outro.

Farinha pouca…

Nestes momentos não consigo ver a famosa alegria e hospitalidade brasileira e carioca . Apenas pessoas egocêntricas que não conseguem despertar empatia pelo próximo .

Que lutam pelos seus direitos em discursos, mas que pisam na necessidade do outro…