O líder de equipe é o maestro

Imagem de Tatyana Kazakova por Pixabay

Outro dia eu estava escutando “Bolero” de Ravel, que creio ser uma das peças mais conhecidas mundialmente.

Concentrei-me no início, nos 3 primeiros instrumentos de sopro da obra: a flauta, o clarinete (2 vezes) e o fagote.

Fiz um teste com os sons individuais e mudei as posições. Comecei com o fagote, coloquei o clarinete em Si bemol, a flauta e o clarinete em Mi bemol. Ficou horrível!

E que interessante! Mesmos instrumentos, em ordem diferente, estragam tudo.

E assim eu vejo a gestão de uma equipe. Digamos que os instrumentos sejam nossos colaboradores. Cada um tem seu momento correto de se “fazer presente”, através de suas competências e habilidades. Mesmo dois colaboradores com a mesma formação têm suas habilidades diferenciadas.

Vi isso no clarinete, que utilizado em um tom diferente faz muita diferença (Si bemol e Mi bemol). Fazendo uma analogia, podemos ter dois profissionais com a mesma formação, por exemplo, químico ambiental. Só que um é especialista em resíduos e outro em efluentes. Aí estão as notas que harmonizam ou estragam a obra. Tem o momento certo para que cada especialista atue.

E de quem é a tarefa de fazer com que a obra seja apresentada de forma harmônica? O maestro.

E no nosso caso o maestro é o líder da equipe. É ele que identifica em que momento cada habilidade deve se colocada, cada detalhe faz a diferença. É ele que treina mais um músico que outro. É ele que sabe quem é melhor para usar o solo – naquela obra.

É ele que fica em silêncio fazendo sua equipe brilhar. É dele que emana a coesão, o tempo, as paradas, enfim, coloca em prática a habilidade de cada colaborador de sua equipe.

Agora, se a equipe é formada individualmente por ótimos profissionais, mas a “música” não sai assim tão boa, daquelas que você diz que já ouviu versões melhores – fique alerta – o problema não é a equipe, mas do líder.

Faça um teste, vá em um aplicativo qualquer de música ou vídeo e escute qualquer obra com diferentes maestros, você vai perceber a diferença.

E você, o que acha? Podemos comparar um líder de equipe a um maestro?

A Quem Pertence uma Obra de Arte?

Uma discussão muito interessante sobre a propriedade de obras de arte, cultura, patrimônio e até mesmo materiais genéticos. A quem pertence?

No dia 16/02/2019 eu tive o prazer de ser convidada pelo Museu de Astronomia e Ciências afins para participar de um debate sobre espólios de guerra e de expedições científicas.

O filme que foi a base para discussão foi “A Dama Dourada”, sobre a obra de Klimt no Museu Belvedere, na Áustria. O mais interessante que puxamos o debate justamente com a questão da emoção, pois torcemos muito pela protagonista (o filme é baseado em um caso real).

Mas depois de passada a comoção, vieram os questionamentos:

  • Será que locais em guerra teriam como manter suas obras, por exemplo, o Iraque com o Portão de Ishtar (Babilônia)?
  • Nós queremos nossas obras de arte e bens patrimoniais de volta mas temos condições de mantê-los? Quais ações de abrangência a outras instituições foram realizadas depois do incêndio do Museu Nacional?
  • Se eu quero minhas obras de volta, porque não devolvo a dos outros, como o caso do canhão El Cristiano que está no Museu Histórico Nacional (RJ) e na verdade é um “troféu” do espólio da Guerra do Paraguai já com pedido formal de devolução pelo governo paraguaio, que inclusive nos chama de fraticidas?
  • Porque nossos fósseis, animais e plantas (que pertencem à União) aparecem contrabandeados em países que pregam a devolução de espólios como EUA, Japão e alguns europeus?

É muito fácil tomarmos uma posição – contra ou a favor – sobre temas como este, mas a realidade é uma colcha de retalhos e um problema com infinitas nuances e possibilidades de solução, mas com certeza, assim como nós brasileiros não queremos devolver El Cristiano e nem tirar de um acervo o que é de procedência duvidosa, como dizer que os demais tem que fazê-lo?

Canhão El Cristiano – Museu Histórico Nacional (RJ)