Nada é Mais Efêmero que o Presente

Minha mãe sempre gostou de se arrumar. Sentia prazer em comprar roupas, sapatos, bijus. Armário cheio, várias roupas com etiqueta esperando a ocasião perfeita para aquela calça, aquele sapato, aquele lencinho.

Imagem de Paul Sprengers por Pixabay

De repente veio o AVC, e aquela mulher vaidosa passou a usar roupas mais de acordo com o homecare. E assim se passaram tres meses… Veio o desencarne. Ela se foi, suas roupas ficaram. Ainda estão lá em sua casa. Etiquetas, selos, embrulhos.

Penso muito sobre isso desde então. Tenho algumas roupas com etiqueta e olho para elas diariamente – vou fazer diferente. Para mim todos os dias serão especiais. A partir de agora, é especial estar viva, é especial sair de casa todos os dias e comemorar a vida (pós-COVID19, claro!).

Imagem de Free-Photos por Pixabay

Essa é minha proposta. Sair dessa sucessão de episódios-chave na vida melhor do que entrei.

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